quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sempre, para sempre

“Há amor amigo
Amor rebelde
Há amor passageiro
Amor antigo
Amor de pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de Inverno
Amor de Verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada,
Mas nada
Te faz contente,
Me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amores eternos
Sem nunca talvés
Amor tão certo
Que acaba de vez
Há amor de certezas
Que trás dor,
Amor que afinal
É amor, sem amor
O amor é tudo
Tudo isto,
e nada disto
Para tanta gente
É acabar um amor igual
E começar um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre....”






Lembro-me de tantas e tantas coisas a teu respeito, desde pequena ainda sem andar, de me pegares ao colo e andares a passear comigo. Lembro-me de ficares comigo sempre aconteça o que tiver de acontecer. Lembro-me de quando me davas banho, sabendo que foste a primeira a fazê-lo e me levavas a fazer xixi, das nossas conversas cómicas até. Lembro-me de estar doente e tu vinhas para minha casa tomar conta de mim, dar-me os remédios e ficar comigo até eu ficar bem. Lembro-me de ti, do teu jeito impulsivo, da tua vivacidade. Lembro-me de ti a acordares muito cedo, na tua casa e na minha, para fazeres as coisas das mulheres crescidas (lavar a roupa, passar a ferro, fazer o almoço) e que bom que eram os teus almoços, fazias sempre tantas coisas que eu gostava, até um ovo tu fazias de propósito só para mim. Aquela canja que fazias sempre em tua casa, para toda a família comer. Lembro-me de vires cá a Coimbra e quereres ir a baixa que na altura era o único sitio que tinha lojas giras para tu comprares roupa, sempre compras-te prendas para todos nós. Lembro-me tão bem dos Natais em tua casa, que fazias o bacalhau e as filhoses. E davas o dinheiro a minha mãe antes para ela nos observar e comprar tantos brinquedos, que enchiam a sala. Hoje já sei quem era o Pai Natal lá de casa, eras tu que saias da sala 5minutos antes da meia-noite para deitares qualquer coisa ao chão e depois chamavas por todos nós a dizer que o Pai Natal já tinha deixado os brinquedos na chaminé e que vocês eram muito amigos e tinhas falado com ele. Eram Natais cheios de alegria. Lembro-me daquele natal onde chorei porque também queria ver o Pai Natal e tu disses-te que se eu ficasse na sala ele não vinha, (saudades :’) ), lembro-me também dos meus pais saírem para irem ao carro e a tua garagem buscar os brinquedos e depois tu é que arrumavas tudo para ninguém desconfiar.. Lembro-me de ir ter contigo a cozinha de manhã e tu me fazeres o chocapic, e me dares bolos e chocolates sem a minha mãe ver para não ralhar. Lembro-me de quando nos íamos embora tu chamavas-me sempre ao teu quarto, ou quando ninguém estava a ver davas-me 5€ para a mão e dizias para eu ter juízo e me portar bem. Até a 1 ano atrás ainda o fazias.. Ai, se tu soubesses o que eu fazia com esse dinheiro, guardava-o e no Natal ia sempre te comprar uma boa prenda, para ti e para a minha mãe que eram as pessoas mais importantes da minha vida. Até na escola eu desenhava a mãe e a avó, como sabes sempre gostei mais de ti, do que do meu pai. Depois quando cresci e percebes-te que os brinquedos e as roupas já não faziam o meu género começas-te a dar-me dinheiro pois sabias que eu era crescida e ia saber como guarda-lo. Dizias que era para eu comprar alguma coisa para mim que eu quisesse e sim ainda comprei algumas coisas mas a grande maioria guardei com muito amor, e hoje grande parte da minha conta ainda pertence a esse dinheiro, para um dia poder afirmar que me ajudas-te a comprar a minha casa. Ias-te orgulhar tanto. Lembro-me quando comecei a deixar de ser tão criança e comecei a preocupar-me com os meus estudos e tu acendias velinhas e mandavas rezar missas (mesmo sabendo que não era crente) para eu ter sorte e passar os anos. Lembro de me tentares ensinar a fazer a cama, e também da primeira vez que cozinhei e fiz questão que tu provasses e tu até gostas-te, pois tinha batatas fritas. Lembro-me de teres aquele problema de saúde e lembro-me de te ir ver ao hospital e tive tanto medo de te perder. Lembro-me das nossas conversas e quando me falavas das tuas aventuras passadas em África, lembro-me de seres sempre a melhor a matemática e saberes todas as contas e resultados que eu sempre hei-de precisar de uma calculadora. Lembro-me de quando partis-te a cabeça e vies-te aqui para Coimbra novamente tive tanto medo de te perder, lembro-me de ir com a minha mãe para o hospital e quando lá chegamos, e eu te pude ver lembro-me de dizeres que estavas bem, mas a verdade é que a partir dai não voltas-te a estar bem. Lembro-me de ter que ir contigo a uma consulta e tu foste comigo no meu carro e comigo a conduzir e até gostas-te, ficas-te orgulhosa de mim e de eu conduzir bem, como tu disses-te. Depois foram os teus problemas constantes de saúde, a desorientação, o facto de não teres consciência de onde estavas poucas vezes isso aconteceu mas trocavas os nomes e dormias imenso. Lembro-me de passares muito tempo cá em casa agora não para tratares de nós, mas sim para nós tratar-mos de ti. Lembro-me deste último Natal onde não houve a alegria de Natais passados, pois tu estavas diferente, parecias desligada da situação. Lembro-me de vires cá para casa, e teres ficado e voltares a ir e voltares a ficar. Lembro-me de todos os esforços e lembro-me de me tratares mal porque não querias tomar os comprimidos e eu insistia. Lembro-me de não teres fome e só teres dores, e de comeres batatas fritas e hoje quando como lembro-me sempre de ti a tentar rouba-las. Comecei a cair numa realidade estranha, agora era eu que tinha que tomar conta de ti, levar-te a fazer xixi e dar-te o comer na boca. Lembro-me uma vez quando te fui ver ao Hospital e te mostrei a minha tatuagem e tu disses-te “mas tu não gostas de flores”, e eu disse “pois não mas fi-la por quem mais gosto, e quem mais gosto, gosta de flores” tu sorris-te e depois adormeces-te. Em pouco tempo voltas-te para casa e voltas-te para o hospital e foi ai que tiveram que te operar, lembro-me como se fosse hoje de chorar por isso mas no fundo tu ias ficar bem e eu tinha certeza disso, e sim correu bem mas o teu estado geral já era complicado. Numa das últimas vezes que estive contigo lembro-me de te perguntar “então já estás bem?” e tu disses-te “estou quase” e depois perguntei quando vinhas para casa e tu respondes-te “em breve, está quase”. Lembro-me de ficar a teu lado! Lembro-me destas palavras como se fossem ditas hoje e com a tua voz rouca. Quase? O que posso entender deste quase?? Talves estavas a tentar dizer-me alguma coisa! Sempre acreditei que ainda vinhas para casa e esperava tanto que isso acontecesse. Sei que gostavas muito de mim, e tinhas muito orgulho de eu estar sempre ao teu lado quando mais precisavas. E agora restam as lembranças, olho para o quarto onde ficavas cá em casa e custa-me tanto lá entrar, tenho a esperança que te vou lá encontrar a dormir para te acordar com os meus bons dias, custa-me muito olhar para as tuas coisinhas, e tento não mexer. Ficou muito por dizer, acredita!


“É acabar um amor igual


E começar um amor diferente


Sempre, para sempre


Para sempre....”


Não é nunca um adeus, é um até sempre!!