A vida é isso mesmo, um local de passagem, onde todos os dias nos deparamos com imensos rostos desconhecidos, e ninguém pára entre as diversas relações interpessoais que supostamente fariam a mudança na nossa vida..
Mas o comum é vivermos na insensatez a que chamamos de nova comunicação, é cumprimentar quando só nos apetece e só porque sim, ou quando estamos sozinhos na nossa bola de cristal e a companhia é sempre a melhor opção, sem nunca pensarmos que um dia, continuando nesta insensatez vamos mesmo acabar sozinhos. E a solidão é mal encarada e renegada pela maioria, mas tudo bem!
Quem me dera que nas minhas relações interpessoais tal não fosse tão igual ao comum. Quero sair e conhecer novos rostos, viver momentos dos quais vou sentir saudade. Começo a concluir ao fim de muitas vezes o ter negado que não há amizades verdadeiras (daquelas que na minha inocência, existiam) afinal é só um conjunto de pessoas que por estarem no mesmo sitio se comunicam e conversam sobre diversos assuntos (com e sem interesse) mas que no fundo isso faz toda a diferença. É isso que faz de nós seres "culturais" mas acima de tudo felizes.
Sim! É nos rostos dessas pessoas que actualmente tenho visto mais felicidade, principalmente aquela felicidade que a muito procuro, já não há aquela "amiga especial" a quem noutrora daríamos a vida. Isso são fantasmas do passado. Hoje o que se faz é contar os problemas á pessoa que estiver próxima e a quem já denunciamos um pouco de nós, ás vezes em atitudes inconscientes. Talvez ai esteja escondida aquilo a que chamamos de felicidade.
"Hoje somos amigos e conversamos sobre paralelas vidas, opinamos e deixamos que outra pessoa dê essa modesta opinião, e se amanhã essa pessoa não olhar mais nos teus olhos, não há problema, basta procurar outra e o efeito é semelhante" Ao que chegamos. É triste mas pelos vistos é assim.
Volto ao passado e sinto que os meus verdadeiros amigos sempre andaram mais escondidos, sempre foram aqueles a quem não dei tanta atenção, aqueles que menosprezei, aqueles que tanto fazia estarem ali ou não. Afinal hoje fazem diferença, esses hoje param para me cumprimentar, esses hoje ajudam-me naquilo que eu preciso, ainda que seja pouco mas estão lá. Esses fazem a diferença.Ainda que distantes e que a confiança não seja tão forte não me abandonaram. Estranho isso! Pois para eles nunca ninguém olhou, nunca ninguém gostou e são esses os que são de verdade. Que complexidade!
Agradeço a esses pelos poucos minutos, ás vezes poucas horas, que hoje fazem a diferença.
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